Uma questão de amostra

Qual a lição a tirar desse erro do Ipea, que divulgou que 65% dos brasileiros concordam que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, quando o número correto é 26%?

O Ipea teve o mérito de corrigir o seu erro. Mas mesmo os números corrigidos podem continuar a suscitar dúvidas. A pesquisa domiciliar, da forma como o Ipea fez, distorce a amostragem. Eles ouvem os pesquisados em casa, durante o dia. Nesse horário é mais provável encontrar em casa pessoas mais velhas, mulheres e pessoas com baixa escolaridade. Esses perfis não são representativos da população brasileira. Na amostra de entrevistados do Ipea, mais de 65% são mulheres, enquanto a taxa real da população brasileira feminina é de 52%. Eu não concordo com quem dá valor a essas aferições meramente probabilísticas. A confusão recente do Ipea só reforçou minhas convicções.

Fonte: Revista Veja. Editora Abril. Edição 2369 – ano 47 – n°16. 16 de abril de 2014. P.23. Páginas amarelas. Entrevista com Mauro Paulino – Diretor do DataFolha.