Como olhamos os dashboards?

Desenho de um notebook e vários dashboards.
Imagem de Yvette W por Pixabay

As vezes damos muito valor aos números e esquecemos que eles são analisados por pessoas. Então, características psicológicas e fisiológicas devem ser levadas em conta.

Veja cinco resultados obtidos na pesquisa “Estudo sobre o padrão de leitura humano”, feita pela Tableau [1] que mostram o que percebemos melhor em um dashboard ou relatório de gestão.

1. O tamanho dos números é importante: Um dos padrões mais notáveis que identificamos foi a atenção visual dedicada aos números exibidos em fontes muito grandes. Painéis com números muito grandes mostraram a concentração da atenção visual diretamente nesses números. Além disso, esse direcionamento da atenção ocorreu logo no início da sequência de visualização; como acontece quando você vê algo pela primeira vez. Portanto, se você quiser destacar um número, use um tamanho de fonte grande.

2. Fadiga por repetição: a atenção dada a elementos repetitivos era grande nos primeiros painéis, mas diminuía ao longo da sequência. É comum criar painéis com visualizações iguais para variáveis diferentes, como usar gráficos de barras para KPIs diferentes a fim de facilitar sua comparação. Descobrimos que, quando um elemento é muito usado (gráficos de linhas repetidos, números repetidos etc.), a atenção diminui seguindo o padrão de leitura da esquerda para a direita e de cima para baixo. O item no canto superior esquerdo recebeu mais atenção, e os outros elementos receberam menos, à medida que a pessoa olhava os painéis repetitivos. Esse resultado reforça que a sequência de apresentação importa muito e que os autores de painéis podem aproveitá-la sempre que possível.

3. Humanos gostam de humanos: se uma pessoa ou uma figura humana estiver presente, ela receberá atenção. Tínhamos painéis com figuras humanas (abaixo) e outros com fotos de pessoas. Os resultados foram consistentes: a atenção visual ficou concentrada nesses elementos. Isso não é surpresa. Nosso cérebro gosta de encontrar e olhar figuras humanas. Dito isso, o autor de um painel deve ser bastante criterioso ao usar figuras humanas em suas visualizações. Podemos ter certeza de que elas receberão atenção, por isso avalie bem se é isso mesmo que você quer (e que ela não seja uma distração para sua mensagem geral). Repetindo: use figuras humanas somente se isso for relevante para os seus dados. O uso e a exploração inadequados desse elemento podem prejudicar a reputação do seu painel.

Imagem: Tableau. Referência citada.

4. Orientação por contraste: as áreas de alto contraste visual atuaram como guias do painel. Durante a sequência de visualização inicial, os olhos costumavam pular de um elemento de alto contraste para o próximo. Como na brincadeira de ligar os pontos para formar um desenho, você pode usar elementos de alto contraste para orientar a atenção visual pelo seu painel. Porém, use o alto contraste com cautela. Se os elementos de alto contraste forem usados com moderação, eles criarão um caminho lógico, mas se usados em excesso, eles podem tornar o painel confuso e estressante.

5. A forma tem sua função: todos os painéis têm uma forma (triangular, de grade, colunar) e os olhos acompanham essa forma. Esse resultado é ao mesmo tempo surpreendente e esperado. Os humanos estão sempre em busca de informações. Quando olhamos para alguma coisa pela primeira vez, queremos saber mais sobre aquilo. Assim, olhamos diretamente para as informações (e não para as áreas que não contêm informações). O mais importante disso tudo é entender a liberdade de criação que isso possibilita para um autor. Você não precisa se ater a regras como “coloque o que for importante no canto superior esquerdo”. Em vez disso, analise o formato do seu painel e use suas áreas de acordo.

Fonte

1. Alberts, Amy. Estudo sobre o padrão de leitura humano: cinco lições importantes para os autores de visualizações do mundo inteiro. Tableau. 27 de junho de 2017. Disponível em: https://www.tableau.com/pt-br/about/blog/2017/6/eye-tracking-study-5-key-learnings-data-designers-everywhere-72395?utm_campaign=Tableau%20Newsletter%20-%20Core%20Prospects%20-%20LATAM%20pt-BR%20-%202017-Q3&utm_medium=Email&utm_source=Eloqua&domain=bachmann.com.br&eid=CTBLS000012220007&elqTrackId=bb0888318aed44ca977d7c2805fc9874&elq=95adfb2d7e464b19a07407f0bb3539a2&elqaid=24324&elqat=1&elqCampaignId=26549 Acesso em 28.6.22.

Dica

Vale a pena ver o artigo completo, inclusive com os vídeos ilustrativos, disponível no link fornecido.

POST250318 de ago/26

Envisioning Information: Narratives of space and time

Comentários sobre o livro

Capa do livro Envisioning Information

O livro, embora interessante, difere dos anteriores [1, 2 e 3] na objetividade e enfoque prático. Assim, mais do que orientar à produção de gráficos e imagens visualmente comunicativos, o texto apresenta muitas curiosidades e chama a atenção para detalhes que tornam a observação do mundo mais interessante. Seja pela exposição feita por Galileu sobre as luas de Júpiter, seja pelas características dos impressos com horários de trens e aviões ou, ainda, por analisar notações usadas para descrever passos de dança.

De qualquer modo, é uma leitura interessante para profissionais envolvidos na comunicação ou nas artes visuais.

Alguns destaques do texto:

  • Apesar da beleza e da utilidade do melhor trabalho, o design da informação despertou pouca atenção crítica ou estética: não há Museu de Arte Cognitiva.
  • Não importa o que aconteça, a premissa moral operacional do design da informação deve ser que nossos leitores estejam alertas e cuidadosos; eles podem estar ocupados, ansiosos para seguir em frente, mas não são estúpidos.
  • Dados espalhados por páginas e páginas exigem que os visualizadores confiem na memória visual – uma habilidade fraca – para fazer um contraste, uma comparação, uma escolha.
  • A quantidade de detalhes é uma questão completamente separada da dificuldade de leitura. A desordem e a confusão são falhas de design, não atributos de informação.
  • Na leitura, não lemos letras, mas palavras, palavras como um todo, como uma “imagem da palavra”. Estudos de oftalmologia mostram que, quanto mais as letras são diferenciadas umas das outras, mais fácil é a leitura.
  • A simplicidade é uma preferência estética, não uma estratégia de exibição de informações, não um guia para a clareza.
  • Entre os recursos mais poderosos para reduzir o ruído e enriquecer o conteúdo dos displays está a técnica de estratificação e separação, estratificando visualmente vários aspectos dos dados.

Outras citações

Medidas da variabilidade estão no cerne do raciocínio quantitativo.  – R. A. Fisher, fundador da estatística moderna, em 1925.

Não há nada tão misterioso quanto um fato claramente descrito. – Garry Winogrand, fotógrafo

Pintar bem é simplesmente isto: colocar a cor certa no lugar certo. – Paul Klee

Referência

  1. Tufte, Edward R. Data Analysis for Politics and Policy. Yale University. Prentice Hall. Inc., Englewood Cliffs. N.J. 1974. Meus comentários em: https://www.linkedin.com/pulse/data-analysis-politics-policy-d%C3%B3rian-bachmann/
  2. Tufte, Edward R. Data Analysis for Politics and Policy. Yale University. Prentice Hall. Inc., Englewood Cliffs. N.J. 1974. Meus comentários em: https://www.linkedin.com/pulse/data-analysis-politics-policy-d%C3%B3rian-bachmann/
  3. Tufte, Edward R. Data Analysis for Politics and Policy. Yale University. Prentice Hall. Inc., Englewood Cliffs. N.J. 1974. Meus comentários em: https://www.linkedin.com/pulse/data-analysis-politics-policy-d%C3%B3rian-bachmann/

O livro

Tufte, Edward R. Envisioning Information: Narratives of space and time. Graphics Press. Connecticut. Sixth printing, February 1998.

Como interpretar gráficos – I

O gráfico de barras é um dos melhores e mais práticos para a gestão dos indicadores e, felizmente, é muito comum. Mas exige um cuidado importante que nem sempre é observado.

Veja o gráfico abaixo, retirado de uma publicação que mostra a expectativa positiva dos empresários do comércio, serviços e turismo de cada região do Paraná para o 1º semestre de 2018.

Gráfico 1 – Percentual favorável entre as regiões paranaenses.
Fonte: Revista Fecomercio PR. Jan/fev 2018. pp. 12-13.

É fácil perceber, pelos números apresentados, que a região de Londrina tem uma percepção mais favorável que a de Maringá. Isso porque 66,0/44,4 é 1,49, ou aproximadamente 50% maior. Mas quando observamos as barras, e não os números do gráfico, a diferença parece ser mais elevada. Isso pode ocorrer por dois motivos: erro no desenho ou, o que é mais comum, não começar a escala vertical do gráfico (ordenada) no zero.

Refazendo o gráfico usando os valores apresentados (gráfico 2) e a escala iniciando em zero, como recomenda a boa prática, percebe-se uma diferença menor entre os resultados de Londrina e Maringá, como os números realmente indicam.

Gráfico 2 – Redesenho do gráfico 1 com a ordenada iniciando em zero.

A razão para apresentar um gráfico, junto ou em substituição a uma tabela, é facilitar a visualização das diferenças dos resultados. Quando a imagem não representa adequadamente os valores, ela atrapalha ao invés de ajudar. Portanto, ainda que muitas vezes o gráfico não fique esteticamente bonito, é importante que a escala vertical sempre mostre o zero.

E, nas análises, o primeiro passo deve ser confirmar que o gráfico representa adequadamente os dados que se deseja interpretar.

Nos relatórios e dashboards de tua empresa este cuidado é observado?

Change by Design – Comentários sobre o livro

ChangebyDesign CapaEscrito por Tim Brown, CEO e presidente da IDEO – uma das mais inovadoras empresas do planeta – o livro conta o que é, para que serve e como implementar as práticas do Design Thinking nas organizações.

O próprio sumário é um bom resumo do livro e, como poderia se esperar do autor, ele inovou oferecendo também um sumário diferente – um mapa mental – facilitando identificar as relações entre as diferentes partes do texto.

O autor não se cansa de repetir que o Design Thinking consiste de três etapas: inspiração, ideação e implementação.

Mais inspiradora que técnica, a leitura repleta de cases e exemplos é perfeitamente adequada para líderes empresariais.

Algumas observações selecionadas do texto:

– O objetivo do design thinking é traduzir observações em insights e insights em produtos e serviços que irão melhorar vidas.

– O pensamento divergente cria opções e o convergente faz escolhas.

– O objetivo da prototipagem não é criar um modelo funcional.

– O tempo (prazo) para gerar o primeiro protótipo é uma boa medida da vitalidade de uma cultura de inovação.

– Usuários extremos – especialistas, aficionados, fanáticos – geralmente são a chave para ideias inspiradoras.

O livro

Brown, Tim. Change by design: how design thinking transforms organizations and inspires innovation. HarperCollins Publishers, New York, NY. USA. 1th ed. 2009. (Inglês)