Viés de Confirmação (ou, somos humanos!)

Vemos o que preferimos ver

Vemos o que preferimos ver

Nas análises de dados para a gestão, devemos levar em conta que as pessoas favorecem as informações que confirmam suas crenças. Por exemplo, se um supervisor sabe que o colaborador passou por um treinamento, ele espera uma melhora no aspecto correspondente. Logo, ele pode “ver” um resultado que na realidade não existe [1]. É uma racionalização comum, no sentido de comprovar uma expectativa, mas que pode influenciar a avaliação do resultado do treinamento.

Assim como a falta de dados dificulta boa parte das análises, o excesso de dados também é inconveniente. Com um grande volume de dados, um profissional inexperiente, ou mal intencionado, acaba sempre conseguindo um conjunto de números que serve para confirmar suas crenças ou suposições.

O uso de dados e ferramentas de análise para justificar crenças é chamado de Viés de Confirmação (Confirmation Bias). E, com a disseminação das técnicas de Big Data, esse problema tende a ser cada vez mais comum, na medida em que ferramentas estatísticas e softwares complexos permitem diferentes análises que podem ser usadas para provar as teses pretendidas.

Na verdade, o Viés de Confirmação – também denominado de Efeito Hallo – atende à necessidade humana de reforçar pontos de vista conhecidos e que trazem conforto ou conveniência. Desse modo, muitos vezes é provocado de forma inconsciente.

Conhece alguma situação em que isso aconteceu em sua organização? Como ocorreu?

Referência: 1. Fitz-enz, Jac e Davison, Barbara. How to Measure Human Resources Management. McGraw-Hill. 2002. 3rd edition. p. 185.

Texto inspirado em: Webb, Jack. Better Decision Making with Objective Data is Impossible. Disponível em: http://sloanreview.mit.edu/article/for-better-decision-making-look-at-facts-not-data

 

Para reflexão

Ram Charan

Segundo o especialista em estratégia Ram Charam, há um aumento na tendência de executivos de outras funções assumirem funções de liderança de recursos humanos.

Ele disse que esta tendência é das mais importantes, na medida em que as empresas buscam melhorar a compreensão do negócio dentro do RH e alinhar as estratégias de RH com as estratégias mais amplas do negócios.

Ao mesmo tempo, Charan previu que o HR irá evoluir e se tornar mais importante nos próximos anos, a medida em que aproveite a tecnologia para dar maior eficiência e gerenciar talentos para os resultados de negócio.

“Não tenho dúvida que o pessoal vai aprender sobre o negócio”, disse ele.

Comentando sobre a aceitação de seu artigo “It’s time to blow up HR”, Charan afirmou: “Os CEOs adoraram. Um grande número de líderes de RH que não vieram do RH adorou. Aqueles que vieram do RH não gostaram”.

Referência: RAM CHARAN: WHERE HR LEADERSHIP MEETS THE NEW WORLD OF WORK. Disponível em www.insidehr.com.au/ram-charan-on-where-hr-meets-the-new-world-of-work Acesso em 19.03.17.

Aumentar a rotatividade pode ser uma estratégia? (Por Bernt Entschev)

 
A Kimberly-Clark, gigante multinacional da área de cuidados pessoais, implantou um novo software que permite analisar o progresso dos funcionários e expõe rapidamente quem não está dando os resultados esperados.
 
Com isso, a rotatividade é o dobro do que era há dez anos. Cerca de 10% dos empregados na fábrica dos Estados Unidos deixam a empresa a cada ano, voluntariamente ou não, segundo a empresa.
Fonte: Newsletter Lima Lopes, Cordella Adv – 12.09.16

O PIB é um bom indicador?

PIB

O tamanho do PIB diz mais sobre o tamanho do país do que sobre seu desempenho. Não é, portanto, uma boa métrica nem para indicar o progresso nem para servir de referência sobre a qualidade de vida de sua população.

Para avaliar a evolução do pais, a variação do PIB – ou seja a relação entre o valor obtido em um ano e a alcançada no ano anterior – seria mais apropriada. E, para mensurar a qualidade de vida do povo, o PIB per capita se mostra mais apropriado, pois indica a parte da riqueza que caberia a cada um, no caso de uma distribuição de renda igualitária.

Logo, sermos a 7ª economia do mundo (2014), com base no PIB, diz mais sobre nosso tamanho do que sobre nossa capacidade de gerar riqueza. Ou alguém imagina que em 2014 nossa qualidade de vida era melhor que a canadense?

Referência: Exame. http://exame.abril.com.br/economia/pib-em-dolar-cai-25-e-brasil-cai-para-a-posicao-de-9a-economia-do-mundo

O mundo muda e o que parecia consolidado deixa de ser

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Na era da disputa pela maior altura, escritório de arquitetura ateniense cria nova categoria de medição: o comprimento.
É verdade que essa métrica tem mais relação com o Guiness do que com gestão, mas serve para nos mostrar que, às vezes, as medidas tradicionais têm de ser reavaliadas também em nossas organizações.
 
Os indicadores que serviram em um momento deixam de ser relevantes em outro e podem, muitas vezes, tornaram-se apenas uma carga burocrática. Será que não é o momento de rever as medidas e os relatórios usados na gestão?
Referência citada: http://veja.abril.com.br/blog/cidades-sem-fronteiras/edificios-longos

Quem não mede não gerencia.

Medidas

Graças a internet, não sabemos se quem disse isso foi Deming, Falconi, Einstein ou o Érico Veríssimo. Independentemente da origem, sabemos que é verdade. Mas, o fato é que não basta medir. É importante medir a coisa correta, pois a simples existência da medida já comunica à equipe o que é importante, contribuindo para a melhoria dos resultados.

Afinal, o que é um indicador de desempenho?

Desenho de um gráfico de barras com uma lupa sendo segurada por uma mão, como se buscasse detalhes.
Indicadores mostram o que, de outro modo, não seria visto.

É uma medida que permite quantificar um resultado ou aspecto de desempenho de um processo.

Indicador é uma ferramenta de gestão. Possivelmente, a mais básica e simples delas. Na verdade, além de seu uso independente, é parte essencial de muitas metodologias como o Balanced ScoreCard (BSC), o Seis Sigma e a Gestão á Vista, para citar algumas.

Os indicadores costumam ser associados ao controle, mas podem — e devem — ser usados também com outros propósitos, como:

  • Comunicação
  • Alinhamento da equipe
  • Delegação etc.

A definição que poderíamos considerar “oficial” é dada pela Fundação Nacional da Qualidade: “Indicador é um dado numérico a que se atribui uma meta e que é trazido, periodicamente, à atenção dos gestores de uma organização”. Mas, os resultados de alguns indicadores são apresentados por meio de símbolos não numéricos. É o caso dos ratings financeiros e de algumas avaliações escolares, que são apresentados como um conjunto de letras e símbolos como BB- ou A+. Então, é melhor definir os indicadores como representações, numéricas ou não, que permitem quantificar e avaliar os processos e seus resultados.

Indicadores são representações, numéricas ou não, que permitem quantificar e avaliar os processos e seus resultados.

Um indicador de desempenho é definido a partir de variáveis ​​ou parâmetros medidos. O benefício dos indicadores, como ferramenta de gestão, decorre de comunicarem mais sobre o desempenho de um processo do que qualquer medida ​​individual usada em sua definição. Mostram o que, de outro modo, não seria visto.

Uma medida de desempenho é uma quantificação que fornece evidência objetiva do grau em que um resultado de desempenho está ocorrendo ao longo do tempo. — Stacey Barr

Post de abril/17, atualizado em fevereiro/24.

Qualidade dos dados. Isso é um problema?

Imagem por Tumisu em Pixabay 

A qualidade dos dados refere-se à sua capacidade de atender à finalidade pretendida. Você pode estar usando o indicador certo, mas se os dados para o cálculo estiverem errados, tuas decisões também serão erradas.

A qualidade — o grau em que os dados são adequados para uso — é julgada no momento do uso. Se atender às necessidades naquele momento, pode ser considerado “de qualidade”.

A qualidade dos indicadores e sua capacidade de contribuir para a gestão depende dos dados usados nos cálculos. Infelizmente, a experiência mostra que é comum que tais dados não sejam adequados. As principais razões são:

  • Erros por falta de padronização na coleta ou falha de entendimento sobre o que se deseja.
  • Mudança não informada na forma da coleta, para simplificar o processo.
  • Dados colhidos sem cuidado ou responsabilidade, como muitas vezes é feito na apropriação de tempo das pessoas em que qualquer soma que resulte em 40 horas por semana parece aceitável.
  • Erros na transcrição dos dados.
  • Dados manipulados para melhorar os resultados ou esconder algum resultado ruim.

O hábito de dar uma “melhorada” nos dados para que resultados ruins não cheguem aos superiores ou ao público é, infelizmente, bastante comum.

Essa prática, delicadamente chamada de “massagear os dados”, leva a situações como a de Detroit, nos Estados Unidos. A cidade acabou acusada de camuflar a quantidade de mortes porque não queria ser conhecida como a “capital norte-americana dos homicídios”. Após análise, os críticos concluíram que Detroit adotava um critério diferente das demais grandes cidades americanas para contar os assassinatos. Eles escaparam do rótulo, mas os funcionários foram atacados pela mídia [1].

Lee Schwartz, especialista em indicadores, conta um caso em que os produtos que não podiam ser entregues no prazo eram negociados com os clientes e se eles concordavam com a mudança de data, eram computados como “Entregues no Prazo (“On Time Delivery“) [2].

As organizações devem abordar de frente a qualidade dos dados, implementar políticas, criar estruturas organizacionais e promover cultura na qual [3]:

  • Os criadores de dados criam dados corretamente, pela primeira vez, com total entendimento do que isso significa para os clientes, aqueles que usam os dados que eles criam.
  • Os clientes de dados devem comunicar seus requisitos de dados às fontes de dados e fornecer feedback quando os dados estiverem errados.
  • Praticamente todos reconhecem que são ao mesmo tempo criadores e clientes de dados.

Antes de usar um conjunto de resultados no cálculo de indicadores é necessário efetuar uma “limpeza” na amostra. Essa atividade, que inclui identificar e, se for o caso, excluir outliers, buscar valores faltantes e esclarecer anomalias, é frequentemente ignorada, com péssimos efeitos para a gestão e para a credibilidade dos responsáveis.

Portanto, para uma gestão eficaz, os dados devem ser adequados, válidos e confiáveis. Parte da solução do problema é adotar uma cultura na qual os resultados dos indicadores são usados como aprendizado para a melhoria dos processos e não para premiar ou penalizar as pessoas.

        Apenas informações confiáveis permitem conclusões confiáveis. Daí a importância da qualidade dos dados.

Os indicadores em tua organização oferecem referência adequada para responder as perguntas associadas à gestão? Qual é o maior problema encontrado?

Referências

1. Is Your Data Cheating on You? Disponível em: www.domo.com/learn/executive-brief-is-your-data-cheating-on-you Acesso em 10.10.16

2. It’s All in the numbers – KPI Best Practices. Disponível em:https://www.industryweek.com/operations/continuous-improvement/article/22008174/its-all-in-the-numbers-kpi-best-practices Acesso em 13.12.22.

3. Redman, Thomas C. Break the Bad Data Habit. Harvard Business Review. May 30, 2012. Disponível em https://hbr.org/2012/05/break-the-bad-data-habit Acesso em 17.4.24

Saiba mais

Números significativos / Arredondamento de números / Caracterizando a qualidade dos dados

POST170321 de mar/17 atualizado em abr/24

A boa gestão nem é tão complicada

Gestao

Na abalizada opinião do Prof. Vicente Falconi, a gestão bem sucedida de uma organização se sustenta em três fundamentos: Liderança, conhecimento técnico e método.

A liderança adota as seguintes premissas: ter os melhores profissionais, treinar à exaustão, criar um bom clima de trabalho e ser generoso com quem merece.

O conhecimento técnico deve ser buscado no mercado, cultivado internamente ou desenvolvido por meio de pesquisa e inovação.

A execução disciplinada do método inclui:

  1. Definir metas.
  2. Definir o caminho para alcançá-las por meio da análise.
  3. Garantir a execução.
  4. Medir/controlar/monitorar.
  5. Padronizar os processos melhorados.

Cada um desses fundamentos requer competências que devem ser consideradas no momento da seleção das pessoas que vão exercer funções de gestão. Os aspectos relacionados à liderança são os mais difíceis de tratar, pois dependem em grande parte das características pessoais e são difíceis de mudar. Já o conhecimento técnico, embora possa exigir alguns pré-requisitos, como habilidade em matemática ou de interpretação de desenhos, pode ser ensinada com mais facilidade. Do mesmo modo, as competências para executar o método são fáceis de transmitir. Apenas uma característica importante – disciplina – pode representar algum problema.

Referência: Revista HSM Management. Dossiê The 3G Way. Maio-junho 2013. p. 96.

O absenteísmo custa mais do que imaginamos

Imagem cortesia de Freepik

Uma observação prática que ajuda a entender o impacto do absenteísmo é considerar o resultado do indicador como o percentual do tempo total contratado (e pago) que foi perdido devido às ausências dos empregados.

Por exemplo, um supermercado da região de Curitiba registrou, em 2014, um absenteísmo médio de 5,0%. Isso, de forma aproximada, representava a necessidade de um empregado adicional para cada grupo de 20 colaboradores ou, em outras palavras, indicava que 5% do tempo pago não estava sendo utilizado de maneira produtiva. A aplicação deste percentual sobre o custo da folha de pagamento mostra o impacto financeiro aproximado das ausências sobre a organização.

Qual é o tamanho do problema em sua empresa? Já mediu? Já comparou com a concorrência?

POST250711 de mar/17